quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Idade da loba


Duas amigas balzaquianas, no auge dos seus trinta e poucos anos, pensavam no que fazer quando chegasse à idade da loba. Para quem não sabe, essa idade começa aos quarenta e dura aproximadamente até os sessenta anos. Essas duas diziam que essa fase da vida é maravilhosa, e que a partir daí, os seus planos seriam desenhados entre diálogos e mais diálogos, veja: 

— A maturidade que nos aguarda é maravilhosa, esse envelhecimento não nos fará mal algum, os nossos filhos já estarão criados, os valores familiares muito mais aprofundados, aí poderemos então, pensar um pouco em nós mesmas – disse primeira.
— Viajarei bastante, buscarei novos amores, eu disse “novos...” A idade da loba vai bater fundo na minha sexualidade e não perderei tempo – respondeu a segunda.
— Quanto às ideologias, elas devem ser deixadas de lado em nome da modernidade. Hoje as mulheres de sessenta se equiparam as de quarenta da minha época de criança. Elas são muito mais voluntariosas, usam biquines nas praias, pulam de paraquedas, fazem aulas de dança, curtem a noite, e algumas, além de trabalhar estão voltando para as universidades. Essa mulherada não está vacilante, age em qualquer área que se possa pensar – afirmou à primeira.
— Isso é mágico! Veja quantas oportunidades à vida oferece depois de termos curtido a maternidade e criado os nossos filhos. Alcançaremos tudo o que quisermos, e com muito mais rapidez do que no tempo de jovem, pois não desviaremos dos objetos de desejo pretendido enquanto não os conquistarmos – disse a segunda.
— E a vantagem de ser madura faz com que saibamos pisar nos terrenos mais íngremes e tortuosos. Estudaremos cada centímetro a ser conquistado, enxergaremos de longe as intenções dos corações dos que se aproximarem, e decifraremos se os gestos são de gentileza ou interesseiros. Seremos como olhos de águia que veem ainda estando longe e alçaremos voos altos em nossas finalidades – completou a primeira encerrando o diálogo.

Podemos então, afirmar que o instinto de sobrevivência nesta fase da vida é maravilhoso, até porque, não se pode subestimar a inteligência de uma fera experiente como as mulheres loba. Dificilmente elas serão enganadas pelos seus corações, as paixões vão aquecê-las, mas não irão tirá-las do eixo. A vivência falará mais alto neste momento e o tédio passará bem longe delas. Pois a mulher quando sábia aproveita com toda profundidade os seus momentos de felicidade, vive as suas nostalgias com alegria e às vezes se permite viajar na utopia. O tomar de decisão dessa classe maravilhosa é sempre contundente, pautado numa sobriedade tamanha para não provocar desequilíbrio no meio em que vive ou esteja casualmente envolvida, seja ele familiar, profissional ou outro qualquer.

Em resumo, a mulher loba tem um coração contrito, apaixonado, sincero e romântico, contudo, não se pode tentar enganar uma mulher dessa e depois voltar com uma desculpa esfarrapada, não vai colar! Essas mulheres se realizam no seu lar, no seu casamento e relacionamentos, mas não são dependentes do sentimento alheio, a sua verdadeira felicidade não está amparada no outro, mas em si mesma, o seu amor é fruto de uma pessoa bem resolvida. Portanto, sendo casada, solteira ou enrolada as lobinhas não dão descanso para vida, elas vivem cada minuto como se fosse o ultimo, com coragem e desprendimento para não estragar as expectativas de cada momento criado, fruto de um amadurecimento vivido, após o período balzaquiano.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Estado Laico


O Ateísmo crescente te se esforçado para retirar das Câmaras Legislativas nacionais os religiosos. Quando digo religiosos refiro-me aos evangélicos. Esse ateísmo crescente em nossa nação está amparado no marxismo ideológico presente no coração do Brasil, isso porque, o partido presidencial ampara, patrocina e coordena todas as ações que possam trazer perturbações a crença, com a finalidade de a mesma vir a descer ao nível em que se colocam, para serem participantes de debates infelizes, e assim, ser rejeitada pela sociedade brasileira, recebendo o rótulo de fundamentalista e conservadora ao extremo. O jogo deles é mais sujo do que se possam imaginar, e não medem esforços para atingir os seus objetivos. Esquecem que o estado laico não é um estado ateu, e sim, um estado de respeito mútuo entre todos os seguimentos religiosos, teológicos, ideológicos e ateístas, onde um não pode exercer influencia sobre o outro com apoio do meio publico. Esquecem que os preceitos morais constitucionais estão amparados numa sociedade moderada, com fins, de proteção da família e consequentemente da nação. Daí a necessidade do parlamento brasileiro ter a liberdade amparada na democracia para o debate de ideias coerentes, e juntos, escolherem o que é melhor para a sociedade, independente de qualquer principio, mas com a honestidade necessária numa boa decisão, onde terá o apoio maciço da sociedade em questão. Mas infelizmente isso não ocorre, e o pior, é que esses tidos como minoria, tem se valido de instrumentos poderosos para driblar esses debates. Eles têm usado os instrumentos da justiça (que está aparelhada) e do Ministério da Educação (que pertence ao partido presidencial), através do PNE (Plano Nacional de Educação), que por consequência, acaba dando algumas canetadas ideológicas. Essa ideologia, implantada pela beirada, está sendo lançada goela abaixo do povo brasileiro. Esse comunismo bolivariano não respeita o contraditório, ele afronta e rotula qualquer um que se coloque em seu caminho, destrói, se puderem verdadeiras biografias em nome de sua intolerância. São verdadeiros ditadores disfarçados de democratas, mas não gostam da liberdade do povo e nunca lutaram por ela. São dissimulados nas defesas de suas causas, agindo sempre por trás, e não há sintonia entre as suas palavras e seus atos. E por isso, todo cuidado é pouco com essa gente.

sábado, 13 de junho de 2015

Festa Junina


Que saudade das festas juninas do meu Rio de Janeiro. A igreja católica se engajava pra valer em comemoração aos santos reverenciados neste mês, são eles: Antonio, João e Pedro. A quermesse não decepcionava para fazer acontecer à festa junina no pátio da igreja próximo a minha residência. Lembro-me que antigamente, lá pelos anos setenta e início de oitenta, no mês de junho a população se movimentava como um todo. As ruas eram enfeitadas com bandeirinhas coloridas, os bambus limitavam a extensão do espaço da rua utilizado formando um arco, as barracas não podiam faltar principalmente a de pescaria, maçã do amor, a de arremesso de meias nas latas empilhadas, entre tantas outras. As quadrilhas disputavam palmo a palmo qual era a melhor e todos se atreviam dançar, até as escolas tinham o evento popularmente chamado de caipira, as mães participavam atentamente para que seus filhos dançassem com os coleguinhas de classe e a parte que eu mais gostava de assistir era o casamento. Os baloeiros nos recepcionavam com enormes e lindos balões e armações pra lá de criativas, mas hoje virou crime soltar balões por causa dos riscos de incêndio. Já em torno de nossas residências não faltavam às fogueiras para assar batatas e nos aquecer junto a um quentão maravilhoso diante de um inverno bem friento. Esta época era propícia para o inicio de novos relacionamentos amorosos, novas amizades e uma interação maravilhosa entre a vizinhança. Mas hoje tudo parece ter esfriado, as pessoas andam muito distantes umas das outras, as festas populares como a junina já não as atraem mais e a colaboração tão desejada no passado ficou para trás, não existe mais interesse de uma maior aproximação. O mundo mudou para pior e o maior reflexo é a distância provocada pela mudança de relacionamento, que deixou de ser aquela aproximação tão natural para ser uma relação online, mais cômoda e fria, sem verdade alguma, não tem mais o famoso olho no olho, uma pena!