Minilivro II - Missão no Ocidente


Capítulo 1

Breve história de João
Em vinte e cinco de março de mil novecentos e sessenta e quatro, numa certa manhã de outono, em torno das sete horas, dona Maria saiu de sua casa para comprar pão, de repente ao olhar para o seu lado direito, percebeu que havia uma caixa de sapato próximo a um bueiro e, ela balançava bastante. Curiosa ela resolveu ver do que se tratava, foi quando se deparou com uma criança abandonada e subnutrida, era um menino de aproximadamente três a quatro meses de nascido. Apavorada não sabia o que fazer! Foi quando apareceu dona Cecília e lhe perguntou o porque de estar tão perturbada, ela relatou o fato, e juntas resolveram levar a criança para a casa de dona Maria, onde lhe deram um belo banho e o alimentaram.

Em seguida o levaram ao hospital, com fins de realizar uma bateria de exames para constatar o seu quadro de saúde. Ao passar o susto e saber que tudo corria bem com o menino o entregaram para um orfanato próximo, por conta da idade avançada das duas senhoras, onde a partir daquele momento seria o seu novo lar. Desde aquele momento todos no orfanato e as bondosas senhoras passaram a chamá-lo de Euzébio, em referência ao nome da rua em que fora encontrado que se chamava Dr. Euzébio.

Os anos foram passando e as bondosas senhoras que um dia se compadeceram dessa criança foram a sua primeira família. Elas sempre o visitava e constantemente lhe davam presentes. Em algumas oportunidades o levavam para suas casas para que ele pudesse respirar um pouco de ar puro nos finais de semanas, até porque, viver uma rotina de disciplina diária durante a infância é um pouco demais.

Por não saberem o dia exato do nascimento do menino sempre comemoravam o seu aniversário na data que o encontraram na rua, dizendo ter ele nascido novamente naquele dia em que Deus as colocou no seu caminho. Contudo esperaram que ele crescesse um pouco mais para o argúi-lo a esse respeito. Quando ele chegou aos seus doze anos de idade, lhe perguntaram:

– Euzébio, em que dia você quer comemorar o seu aniversário?

– A resposta foi imediata: no dia vinte e cinco de dezembro, é claro, pois, este é o dia do aniversário de Jesus, Nosso Senhor – respondeu o menino.

As bondosas senhoras ficaram muito felizes ao ouvir aquela resposta, mas jamais imaginariam que ele a daria. A partir daquele dia, a criança passou a ter de fato uma data para ser comemorada e de maneira nenhuma poderia esquecê-la, e assim ele fez durante toda a sua existência. Em todos os natais de sua vida comemorava duplamente, em memória ao nascimento de Jesus Cristo e, em referência ao seu aniversário, convidando sempre todos os seus amigos e vizinhos que pudessem compartilhar de sua alegria. E por ser bastante grato àquelas bondosas senhoras, nunca se esquecia de fazer referencia as elas nesta data, as grandes responsáveis por tudo isso.

Mas voltando ao início da vida de Euzébio. Passado alguns meses da escolha do dia do seu aniversário, dona Maria e dona Cecília resolveram lhe fazer uma outra indagação, só que agora, era a respeito do seu nome, e perguntaram curiosas:

– Euzébio, como você quer se chamar?

Foi aí que veio a brilhante idéia, era um privilégio para o até então Euzébio poder escolher o seu próprio nome, até porque, ele não gostava nada daquele nome e disse assim:

– Eu quero me chamar, João de Deus Pereira da Silva. João por se tratar do nome do discípulo mais amado por Jesus, de Deus por ter a certeza que ele me ama muito, pois colocou duas senhoras muito generosas no meu caminho para que eu pudesse conhecer o verdadeiro significado da palavra amor e da melhor maneira possível, Pereira, porque? Sei lá, eu achei esse nome lindo e da Silva pela sua brasilidade, esse foi o nome que escolhi – respondeu o menino.

Durante os seus primeiros quinze anos a sua vida foi assim, morava num orfanato, lá estudava bastante e sempre recebia a visita dessas duas senhoras que Deus colocou no seu caminho para que ele não viesse a sofrer com a dor da solidão e do desamparo que outras crianças do orfanato sofriam por não terem ninguém por elas. Porém ao completar dezesseis anos, Joãozinho foi morar com a dona Maria, que por sinal o tratava com se ele fosse seu filho biológico. Mas antes de se despedir do orfanato, ele quis fazer um discurso de incentivo aos amiguinhos que viviam na mesma situação que ele e, disse assim:

– Não posso reclamar, mesmo abandonado por uma mãe que jamais conheci o Pai Celestial olhou para mim e se prontificou em me dar em dobro tudo aquilo que a vida não quis me dar. Aqui eu aprendi que família é um núcleo de convivência o qual nos uni, não só por laços de sangue, mais também por laços afetivos e nela compartilhamos às vezes o mesmo teto e outras vezes não. Confiem neste Deus que tantas coisas maravilhosas fez para mim e com certeza irá fazer para vocês também. Despedindo-se em seguida, enquanto era ovacionado por todos os presentes.

O tempo passou e João já havia se transformado num belo rapaz, o seu tipo físico lembrava muito o europeu contrastando com o biótipo brasileiro, ele era branco, tinha cabelos loiros, era alto, de estilo atlético e os seus olhos eram verdes claros. Nem parecia de longe um menino que um dia foi abandonado.

Nesta época os seus planos para a vida era igual ao de qualquer jovem. No primeiro momento tudo ocorreu como ele havia pensado, assim ele cumpriu com determinação todos os projetos traçados para ser um homem de bem e vitorioso em todas as áreas da sua vida. Não tinha vício algum e morava numa localidade muito boa da cidade. Frequentava a universidade desejada e, lá cursava engenharia, e isso lhe trazia uma satisfação enorme.

Só que as pressões do mundo moderno não o poupou, a ponto de esquecer aquela devoção demonstrada na infância em relação a Deus, esquecendo-a para viver uma vida sem temor.  Demonstrava a partir de certo momento de sua vida ser frio em suas avaliações, de sorriso debochado e grosso em demasia quando lhe cutucavam com vara curta, como se diz na gira. E nas reuniões com os amigos nas baladas, quando à noite lhe agradava exagerava na bebida e era também bastante namorador.

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Capítulo 2

Origem de Layo
Existe uma cidade situada no outro lado do planeta. Lá, no início dos anos sessenta vivia uma linda jovem de pele branca, cabelos pretos e escorridos, rosto arredondado, olhos puxados e pretinhos, nariz afilado, boca pequena e bem desenhada, chamada Miname. Essa jovem morava junto a sua mãe Yuuki, uma senhora de traços orientais bem forte, adepta do budismo, viúva de seu pai Yuri. Miname trabalhava num restaurante, onde as pessoas que estavam de passagem pela cidade tinham por costume fazer as suas refeições, ali eram realizados grandes eventos musicais.

Num determinado dia essa jovem conheceu um homem, ele era estrangeiro, o seu tipo físico lembrava em muito os cidadãos americanos. Tinha cabelos grisalhos, era alto e de estilo atlético, os seus olhos eram castanhos, bem mais velho do que ela e se chamava Jones. Assim que ele chegou ao restaurante, dirigiu-se a Miname e pediu o menu, depois puxou uma conversa, a princípio desinteressada, mas aos poucos foi demonstrando certo interesse pela moça.

– Como é o seu nome – perguntou o viajante.

– Meu nome é Miname.

– Miname, esse lugar me parece bastante aconchegante.

– De fato esse lugar é excelente para si morar – disse a moça em confirmação ao que Jones acabara de falar a respeito daquele lugar.

Após essa pergunta vieram diversas outras referentes à beleza do lugar. Depois o jovem senhor começou a mudar o rumo da conversa, ele queria saber mais a respeito da vida de Miname e lhe perguntou:

– Percebi que você não carrega nenhum anel de compromisso.

– Eu não tenho compromisso com ninguém – respondeu a moça.

– Como pode uma jovem ser tão bonita como você, com o rosto de boneca e um corpo escultural, além de ser de origem oriental, lugar não muito comum à vulgaridade, não ter compromisso com ninguém.

– Pelo simples fato de eu não me interessar por ninguém desse lugar.

Essa pergunta perturbou bastante Miname e de todas as formas possíveis, o seu conteúdo veio carregado de elogios, referente a sua qualidade física e a exaltação aos princípios morais das mulheres do oriente, o que ela achou muito legal, principalmente partindo de um estrangeiro, algo que ela levou em consideração ao se apaixonar a primeira vista, passando a partir daquele momento a se relacionar com ele.

A partir daí, toda às vezes que Jones passava pela cidade, eles não se desgrudavam um minuto sequer, até que num belo dia, ele resolveu pedir a sua mão em noivado, o que foi logo aceito por ela, já que estava apaixonada. Jones se aproveitou da situação para colocar no dedo da moça, na sua mão direita, um anel de compromisso, mas avisou que ela teria que ser um pouco paciente e esperar, até que ele pudesse ajeitar a sua vida para depois vir a morar com ela.

O namoro deles estava tão intenso, que não demorou muito para Miname engravidar. E essa gravidez foi de suma importância para ela, que trazia consigo a esperança de que o nascimento daquela criança mudaria a realidade da sua vida. Ela achava que a circunstância do momento levaria o velho viajante a cumprir a promessa de vir morar junto a ela e seu futuro filho em sua cidade. E assim, a jovem continuou a sua vida simples e durante o período da sua gravidez a sua rotina diária se mantinha a mesma e com relação ao amor que sentia por ele também, sempre o recebia com muito carinho e atenção. Até que chegou o grande dia e vieram às dores de parto, uma parteira foi chamada às pressas para ajudá-la, porém, no momento da concepção, houve uma complicação inesperada e aquela jovem mãe acabou morrendo, enquanto a criança foi salva pela habilidade da parteira.

O tempo passou e quando a criança já estava com dois meses de vida, o velho viajante voltou à cidade para ver Miname e teve a triste notícia do seu falecimento. Então, quis ele saber como estava à criança, que se chamava Layo, em homenagem ao cantor preferido de sua mãe. Ao visitá-lo, se deparou com um menino, admirou-se de ver como a criança lembrava aquela jovem mãe, mais não quis levá-lo, achou que ele ficaria em melhores condições na companhia da avó materna.

Com o passar dos anos, a criança crescia em estatura e em conhecimento, até atingir a idade de dezessete anos, quando teve um sonho que muito o perturbou, resolvendo compartilhar esse sonho com a sua querida avó e disse assim:

Vovó, quando eu estava dormindo, eis que em sonho me veio à imagem de um vaso de barro, nele um oleiro realizava o seu trabalho, ele o lapidava com muita intimidade, após preparar e pintar o vaso, o embalou. Em seguida enviou esse mesmo vaso para um outro local do oriente, onde colocaram dentro dele uma espada. Depois de algum tempo, enviaram esse mesmo vaso para o ocidente, mas ao voltar para o seu ponto de partida, o vaso já era velho e a sua tinta estava desbotada e descascava com muita facilidade, foi quando acordei – disse o menino.

– Filho, infelizmente não poderei lhe ajudar, não tenho como interpretar esse sonho – respondeu a sua avó.

– Obrigado minha querida Vovó – disse o menino bastante confuso.

Durante um bom tempo Layo viveu perturbado com o seu sonho, e mesmo decidido a encarar a dura missão de sua vida de frente, ele também pensava em ajudar a sua avó, que não muito tempo depois, veio a falecer. Alguns anos depois, ao chegar em sua casa após um dia cansativo de trabalho, Layo entrou num sono profundo e Deus começou a lhe falar:

E disse Deus: “Layo meu filho, eu tenho para ti uma grande obra, uma missão que você terá que cumprir, portanto vou enviá-lo a vários lugares, mas antes, virá até você um mestre enviado por mim, ele te ensinará como agir diante das adversidades aguarde e fique na minha paz”.

A partir daí, Layo passou a esperar no Senhor o cumprimento da promessa. Foi quando numa bela manhã a igreja local recebeu a visita de um sábio pastor, homem de Deus. Sua visita à igreja em que Layo congregava foi o cumprimento da promessa. Quando o pastor começou a pregar, ele sentiu o toque de Deus em sua vida, algo que jamais havia sentido antes e no final do culto, ao vê-lo, o pastor lhe chamou, para que pudesse conversar e disse:

– A Paz do Senhor meu rapaz, qual é o seu nome.

– A Paz do Senhor pastor, o meu nome é Layo.

– Como anda a sua vida.

– Difícil, ando sozinho, mas esperançoso.

– Se não fosse Jesus, seria difícil, triste e sem esperança – afirmou o pastor.

– O senhor tem toda razão – respondeu Layo.

– Jesus não esqueceu de você e tudo o que ele prometeu, ele fará.

– Eu creio – disse o jovem.

– Você crê mesmo? – perguntou o pastor.

– Sim, eu creio! Respondeu o rapaz.

– Então o seu momento chegou, venha comigo para minha cidade, será o meu hospede. É de suma importância que você venha e participe dos eventos que são realizados na igreja que ministro a palavra, você vai aprender bastante sobre Deus e saberá o que Ele tem preparado para sua vida – afirmou o pastor.

Naquele momento passou um filme na mente de Layo sobre tudo o que Deus lhe havia falado e como já estava com vinte e dois anos, não pensou duas vezes, resolveu acompanhar o pastor e lhe disse:

– Eu irei.

– Então vai! Arruma a sua mala que já vamos partir – afirmou o pastor.

– Eu já vou arrumá-la – respondeu Layo.

Após arrumar a sua mala, Layo partiu confiante junto com o pastor para outra banda do oriente, como Deus havia lhe falado em sonho: O oleiro lapidava com muita intimidade o vaso e após prepará-lo e pintá-lo, o embalou. Em seguida enviou esse mesmo vaso para um outro local do oriente, onde colocaram dentro dele uma espada. Chegando a esta cidade do outro lado do oriente, o mestre o colocou como zelador da igreja, para além de trabalhar poder participar dos estudos bíblicos e cultos realizados naquele local. E assim foi o seu primeiro ano junto ao mestre, onde conquistou a sua total confiança. Enquanto isso, Deus o fortalecia em espírito e lhe enchia de sabedoria e graça, e já dava por iniciado o seu ministério na terra. Em breve, Deus iria enviá-lo, para pregar as boas novas a toda criatura que a sua voz puder alcançar.

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Capítulo 3

O encontro desses personagens
Dois anos depois, a igreja sofreu perdas significativas e houve a necessidade de enviar alguns pastores, missionários e auxiliares para algumas cidades vizinhas. Nesta hora viu Layo ter chegado o seu momento, sendo o único enviado ao Ocidente. E antes da partida, o jovem teve outro sonho revelador, onde Deus lhe falava:

“Layo não temas, eu sou teu Deus, saiba que José precisou passar mais de dois anos no cárcere para salvar o meu povo da fome, preparei Moisés durante oitenta anos para livrar o meu povo do Egito, Elias depois de três anos sem chuvas na terra orou, ouvi a sua oração e enviei chuva aquele lugar, Daniel, homem de oração, o livrei na cova dos leões e Jesus, meu filho amado, morreu pelos pecados da humanidade. Saiba, que eu nunca vou lhe desamparar, fique na minha Paz”. Ao acordar o rapaz se colocou a disposição do pastor com uma confiança jamais vista para uma pessoa tão jovem. O que alegrou demais o pastor em questão, pois o mesmo temia a insegurança de Layo.

Quando Layo chegou ao Ocidente, num determinado local da América Latina para sua missão, ele se deparou com uma nação diferente do local de onde vinha. Aparentemente era um lugar totalmente evangelizado, mas de um governo laico e uma sociedade que não sabia diferenciar a laicidade do estado da religiosidade da maioria da população. Além de ser um lugar onde deixavam entrar todas as formas de religiões possíveis, sem a preocupação em filtrá-las, para saber ao certo qual a que realmente faz bem ao povo e agrada a Deus.

Diante desse quadro até certo ponto assustador! Layo entendeu o porque da necessidade de se realizar missão num país já evangelizado, o porque de ser uma pessoa de costumes totalmente diferente desse povo que acabara de conhecer, e, mesmo ficando triste com o que lhe foi apresentado, pensou: verdadeiramente existe um Deus que está preocupado com a saúde espiritual do seu povo, mas esse mesmo povo precisa acordar, pois em momento algum a bíblia faz referência a qualquer tipo de lealdade a pessoas ou entidades religiosas que dão ensinos contrários à palavra de Deus: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos alguns apostarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de Demônios” (1Tm 4:1).

Assim Layo renovou a sua força, revigorou-se por ter visto um povo bom e hospitaleiro e de muita fé no Senhor Jesus Cristo, mas que em algumas oportunidades os servem e o adoram de maneira totalmente errada. Ele montou a sua base numa cidade tida como uma das mais populosas da nação. Fundou ali um ponto de pregação, onde passou a reunir milhares de famílias sedentas da palavra de Deus.

Através dele milagres estavam acontecendo naquele lugar e sempre que lhe sobrava tempo, ele se permitia ser sabatinado a respeito das coisas do alto, tirando todas as dúvidas possíveis do povo de Deus que o acompanhava. Entre essas palestras conheceu João, que entrara casualmente na sua igreja, por estar passando por um conflito muito grande em sua vida. João não se conteve e resolveu perguntá-lo:

– Missionário, de um tempo para cá eu tenho pensado bastante a respeito do que o evangelho de Cristo de fato quer nos apresentar, são tantas as pregações que ouço! Percebo o quão conflitantes elas devem ser para a cabeça do povo, até porque, também sofremos com a pressão das minorias e da ética contemporânea que tem agido muito forte no governo e tem conseguido espaço no coração de muito dos evangélicos. Qual a mensagem principal que Deus tem para gente, o que Ele quer de nós?

– Filho, Deus quer algo muito simples, Ele quer mostrar que já se reconciliou com a humanidade como disse Jesus aos discípulos assim que ressuscitou – respondeu Layo.

João ficou feliz com o que ouviu e neste momento nasceu uma bela amizade entre esses dois jovens que tinham algo em comum, cresceram sem a presença dos seus pais por perto, mas Deus não os desamparou em momento algum. E assim, juntos recitaram um poema:

Nasceu à esperança... Deus nos deu vida! Cuidou com perseverança, mantendo a sua ousadia! Alguém tentou destruir a coroa da criação. Como somos tão frágeis... Ele nos tem em seu coração. Impede sempre ao inimigo de nos tocar com as suas mãos. Cuida dos detalhes mais simples, por amor de cada filho e irmão.

A partir desse momento, os dois não se desgrudaram mais e João não parava de perguntar sobre essa tal reconciliação. Layo não se importava com a sua curiosidade, até gostava dela, e resolveu lhe explicar com toda paciência possível, começando no início de tudo, para uma melhor compreensão dos fatos. Para que João pudesse entender o mistério da salvação, Layo começou explicando a partir da criação dos céus, antes da fundação do mundo. Depois se estendeu a criação da terra e as duas quedas, cada uma há seu tempo.

– E disse Layo, assim: Silva (Ele preferia chamar João assim, por achar que este nome é o que melhor representa um cidadão brasileiro) leia o livro de Gênesis, capítulo um, depois nos falaremos.

João cumpriu com o determinado e logo em seguida começou argúí-lo, dizendo:

– Layo, quando é que começaremos essa conversa tão prazerosa. Estou muito curioso com o que você tem a me revelar.

– Calma Silva, ainda teremos muito tempo para isso – respondeu Layo.

Em resposta, Layo ouviu que o tempo passa muito rapidamente e sorriu.

Na manhã seguinte, Layo resolveu ler Gênesis capítulo um, do versículo um ao trinta e um, na companhia de Silva. Para então, pode começar a explicar a sua tese bíblica no que tange a mensagem central. Ele considerava a reconciliação o centro desta rica e extensa publicação espiritual, já que ela se refere também ao amor, a renúncia, ao arrependimento, ao perdão, a regeneração, a justificação, a fé, a graça, a santidade e a salvação, entre tantos outros assuntos, que para ele são importantíssimos, mas secundários, pois sem a reconciliação divina nada seria possível.

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Capítulo 4

A primeira queda
Após a leitura, Layo disse a Silva: A bíblia não é uma enciclopédia de vários livros somente que não se relacionam entre si. Muito pelo contrário, a união destes livros é o resultado de tudo aquilo que Deus buscou como forma de se reconciliar com a humanidade. Assim como no cotidiano de nossas vidas seculares onde tudo tem o seu início, o seu meio e o seu fim, a bíblia não é diferente. Ao criar Deus os céus e seus habitantes o que mais me impressionou foi o direito ao livre pensamento, a liberdade de expressão e ação de cada ser daquele Santo Lugar, sem que isso pudesse ferir de forma alguma a soberania divina. Quando Lúcifer “querubim ungido” se rebelou contra Deus querendo ser semelhante a Ele, recebeu da parte divina as devidas punições. Como castigo perdeu o direito de permanecer naquele Lugar Santo, sendo que este castigo não ficou limitado somente a ele, mas foi estendido aos anjos “hoje classificados como demônios” que se deixaram levar pelas sugestões e opiniões deste ser.

No livro do profeta Ezequiel, diz: “... Assim diz o Senhor Deus: Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura. Estava no Éden, jardim de Deus; de todas as pedras preciosas se cobrias: o sárdio, o topázio, o diamante, o berilo, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo e a esmeralda; de ouro se fizeram os engastes e os ornamentos; no dia em que foste criado foram eles preparados". Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte Santo de Deus, no brilho das pedras andavas, perfeito era nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniquidade em ti. “Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência e pecaste; pelo que te lançarei profanado fora do monte de Deus, e te farei perecer, oh querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras” (Ez 28:12-16).

Em Isaías, diz assim: “Como caístes do céu, oh estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14:12-14).

O evangelho de Lucas relata que Jesus havia enviado setenta discípulos para uma missão especial, onde, além de pregar as boas novas eles iriam curar e expulsar demônios. Esses ocorridos não eram atos casuais de bondade, Jesus estava proclamando a derrota de Satanás e do pecado. Até porque, Jesus veio libertar o homem do domínio de Satanás, um domínio conquistado através do pecado que tem como consequência a morte.

No Evangelho Lucas, Jesus disse: “Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago” (Lc 10:18); em Apocalipse, mostra a sua real existência: “Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e os seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente que se chama Diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra e, com ele os seus anjos” (Ap 12:7-9).

O homem deve entender que o mal muitas vezes questionado, talvez não seja uma criação e vontade divina. Pessoas costumam acusar Deus por tudo o que dá errado na vida e pela violência desproporcional que presenciamos nos meios de comunicação. Colocam Deus como um verdadeiro carrasco dos homens, como se Ele vibra-se a cada passo mal dado por nós. Mas isso não é verdade, pelos relatos bíblicos o mal nasceu como consequência do orgulho em excesso no íntimo de Lúcifer, que pensou um dia ser semelhante a Deus. Daí, eu posso afirmar no meu entender, que do orgulho de Lúcifer nasceu o mal, ele nasceu no coração deste ser.

Quando encontramos na bíblia duas passagens referentes ao mesmo assunto, onde numa Deus determina algo (2ªSm 24:1) e na outra foi o diabo quem determinou (1ªCr 21:1), entende-se que a compreensão dá época sobre o mal era diferente: uma antes e outra depois do exílio babilônico. Para afirmarem que Deus é o criador do mal algumas pessoas exageram em suas avaliações, inclusive utilizam-se dos atributos exclusivos de Deus contra ele próprio (Sua Soberania, Onipresença, Onisciência e Onipotência). Só que o fato dEle ser soberano não faz de sua criação meros robôs, a sua onipresença às vezes deixa o seu coração triste, por estar vendo o homem se deixar levar pelo pecado. Na sua onisciência, em algumas situações, Ele se antecipa para livrar a quem lhe aprove livrar e quanto a sua onipotência, Ele se utiliza dela quando quiser. Deus não é capacho dos pecadores que viram constantemente as costas para Ele e depois vem querendo ser abençoados.

– Puxa, Layo! Nunca falaram comigo dessa forma, estou gostando como está apresentando a proposta divina para o ser humano. Pode continuar que eu te escuto – falou todo animado Silva.


– Layo, simplesmente sorriu...

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Capítulo 5

A segunda queda
Continuando a explicar o início de tudo, Layo começou a narrar sobre a criação do mundo e a queda do homem:

Agora, quando analisamos a criação do mundo, percebemos que Deus criou os reinos mineral, vegetal e animal, e dentre as suas criações, escolheu uma considerada a coroa da criação “o homem”, que recebeu a função de cuidar do planeta. Até porque, nele foi acrescentado algo maior do que a intuição, lhe foi dado inteligência. Ele teria como obrigação manter o planeta em harmonia com o Pai Celestial, mas para que isso ocorresse o relacionamento não poderia ser quebrado e foi justamente o que aconteceu. Não por vontade das partes, mas por interferência de alguém que um dia morou no céu e por orgulho deixou tudo se perder. O homem foi levado por essa força contrária a comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, este ato foi à raiz de todo pecado que passou a ser transmitido a todos os homens através dessa herança maligna, pois toda humanidade tem raiz neste casal, logo todos nós herdamos a semente do mal. A partir de então, todo homem está decaído daí, percebe-se que o verdadeiro caráter da serpente que levou o homem a pecar era de um anjo, até porque, que tipo de ser poderia ter conversado com o homem?

Depois de ele ter vivido no céu, dominou a alma humana transcendendo no tempo e espaço mesmo depois de sua queda e degradação. Não existia nenhum ser dotado de tais características, a não ser um anjo chamado Lúcifer. No início tudo ele teve como motivação principal um sentimento muito conhecido entre nós: o orgulho. Que nada mais é do que um sentimento de dignidade pessoal, brio e altivez, que quando levado ao extremo torna o homem arrogante e com uma soberba sem precedente. Opõe-se diretamente à humildade e nele está à raiz de todos os males, devasta os corações a ponto de cegar o entendimento do sábio.

A bíblia diz no livro de Gêneses, capítulo três do versículo um ao vinte e um, assim: “Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais”.

Então a serpente disse à mulher: “Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer e agradável aos olhos, árvore desejável para dar entendimento. Assim Eva tomou do seu fruto e comeu, e deu também a seu marido e, ele comeu com ela. Então, foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais”.

E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim. E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: “Onde estás? E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me”.

E Deus disse: “Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses? Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi. E disse o Senhor Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.

Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita será mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerá todos os dias da tua vida. E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferireis o calcanhar. E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará”. E a Adão disse: “Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirão; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te torne a terra; porque dela foste tomado; porquanto é pó e em pó te tornarás. E chamou Adão o nome de sua mulher Eva; porquanto era a mãe de todos os viventes. E fez o Senhor Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu”.

Dá para perceber duas situações muito interessantes neste texto, a primeira é o "tal orgulho" aflorando em Eva por influência de Satanás, a outra é o escape que Deus deu ao homem ao anunciar a crucificação de Cristo para redimi-lo. O antes Lúcifer, agora denominado Satanás, deixou o orgulho entrar no seu coração e, assim, praticou o primeiro pecado que se tem registro. Ao apresentar o fruto proibido a Eva e persuadi-la a comer e dar também parte para Adão, dizendo que caso comessem seriam semelhantes a Deus, fez com que eles também cometessem o mesmo pecado de orgulho, que ele antes já cometera.

Após terminar de falar sobre a criação e as quedas, Layo recitou um lindo poema:

A terra é o grande jardim de Deus, que ao criá-la era sem forma e vazia... Então, quis Deus florir a terra e nos escolheu como as flores do seu jardim e com alegria! Mas Lúcifer que já havia sido expulso do céu, por ter aprontado com o Criador! Visitou as primeiras flores plantadas na terra e assim o pecado entrou! Após essa visita nada cordial, que trouxe toda a sua mazela... Levou as flores a secarem, o que não foi legal deixando Deus uma fera! Para restaurar esse jardim foi primordial, recuperar a paz perdida na terra. Mas para que isso acontecesse foi fundamental, destruir Satanás e sua força causadora de todo o mal. Como Deus sabe de todas as coisas, criou um plano de resgate da raça humana. “Combateu o mal com as suas contrárias forças, através de Jesus, o Messias, a nossa esperança...”

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Capítulo 6

A humanidade refletida em Israel
Continuando a falar, disse-lhe Layo: A humanidade é consequência direta da criação divina, porém, depois da queda ela se encontrou em estado crítico diante de Deus. Mas no ato da queda foi providenciado o seu resgate durante a distribuição dos castigos, disse Deus: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferireis o calcanhar” (Gn 3:15). Contudo o Pai Celestial precisava ir a busca de alguém para que Ele pudesse dar início ao seu plano. Nesta época não existia ainda um povo, nem uma nação, nem leis e nem tão pouco um rei.

Muitos dizem por aí, que Deus escolheu a nação de Israel para salvar, mas não foi bem assim, Deus criou uma nação, depois a cercou de todo cuidado possível para fazer dela a grande propulsora para a salvação da humanidade. E tudo isso começou na cidade de Ur na Caldéia. Terá, pai de Abrão, ainda era o chefe patriarcal da família. Lá, ele decidiu que todos deveriam seguir viagem em busca de uma terra mais produtiva. Porém, antes de fixar residência em Harã, na Mesopotâmia, Deus ordenou para o ainda Abrão, que mudasse para uma terra estranha, deixando para trás toda sua parentela, falando assim: “Sai da tua terra e da casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrar. Em ti serão benditas todas as nações da terra” (Gn 12:1). E disse, ainda, que faria dele uma grande nação. Nessa época, Abraão era casado com sua meia-irmã Sara, mas não tinham filhos e ambos já eram idosos.

A tribo de seu pai caminhou por centenas de quilômetros até alcançarem Harã, onde Abraão permaneceu até a morte de seu pai, Terá. Depois da morte de seu pai Abraão foi com Sara, sua mulher, e seu sobrinho Ló para a terra de Canaã. Ali apareceu o Senhor e lhe disse: “Darei esta terra aos teus descendentes” (Gn 12:7). Deus promete descendência a Abraão, que até então, não tinha filhos. Numa determinada noite, Deus disse-lhe: “Levanta os olhos e conta, se podes, as estrelas do céu! A tua descendência será tão numerosa como elas” (Gn 15:5). Abrão acreditou em Deus e Deus imputou justiça a sua fé. Aos 99 anos de idade, Abrão teve outra aparição em que o Senhor lhe disse: “Daqui em diante não te chamarás Abrão, mas sim Abraão, porque te destinei para pai de muitas gentes. E não chamarás a tua mulher de Sarai, mas de Sara. Eu a abençoarei e ela terá um filho ao qual chamarás Isaque” (Gn 17).

Deus cumpriu a sua promessa. Sara teve um filho na sua velhice e Abraão deu-lhe o nome de Isaque. Sendo este já crescido, Deus experimentou Abraão e disse-lhe: “Toma Isaque, teu filho único a quem amas, para que me ofereça em sacrifício na montanha que eu designar”. Abraão se levantou antes mesmo do amanhecer, preparou seu jumento, cortou a lenha necessária para o sacrifício e pôs-se a caminho com seu filho e dois servos. Ao terceiro dia avistou de longe a montanha do sacrifício. Disse então aos servos: “Esperai aqui com o jumento enquanto eu e meu filho vamos lá em cima adorar o Senhor. Pôs a lenha sobre os ombros do menino e levou o fogo e o cutelo. Enquanto subiam Isaque perguntou: Estamos levando o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o sacrifício?”. Abraão respondeu: “Deus proverá”. Quando, enfim chegaram, Abraão levantou o altar, dispôs nele a lenha, amarrou o filho e o colocou em cima. Em seguida, agarrou no cutelo para imolar a criança. Então, do alto do céu gritou o anjo do Senhor: “Abraão! Abraão! Não faças mal ao menino, agora sei que temes a Deus, pois não poupaste teu filho único para me obedeceres”. Abraão levantou os olhos e viu um cordeiro preso num espinheiro. Foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto em lugar do filho. Então, o anjo do Senhor disse pela segunda vez: “Já que para me obedeceres não poupastes o seu único filho, eu te abençôo. Dar-te-ei uma posterioridade tão numerosa como as estrelas do céu e a areia da praia. Em um dos teus descendentes serão benditas todas as nações da terra” (Gn 22).

Com o passar do tempo Deus transforma o clã num povo: Eu sou o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. É comum ler essa frase em várias partes do Velho Testamento. Para dar continuidade ao seu plano Deus não se limitou a Abraão, o tempo passou e outras gerações, mesmo sem saber, continuaram a dar continuidade ao propósito divino. José filho de Jacó foi o escolhido num momento de fome na terra, para congregar todo o seu povo no Egito. Mais tarde, através de Moisés esse mesmo povo saiu desta nação que temeu o seu grande número e resolveu escravizá-los. Deus ordenou Moisés retirar os hebreus do Egito, e já em pleno deserto se revelou a ele através da sarça ardente. Depois o conduziu, através das águas, na travessia do Mar Vermelho e, por fim, no monte Sinai, Deus proclama a aliança com seu povo: “Se obedecerdes à minha voz e guardardes a minha aliança, sereis, entre todos os povos, o meu povo em particular e será uma nação consagrada” (Êx 19, 5-6). Neste momento Moisés recebe as Tábuas da Lei (Decálogo), que foram escritos com o próprio dedo de Deus: “Tendo o Senhor acabado de falar a Moisés sobre o monte Sinai, entregou-lhe as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra escritas com o dedo de Deus” (ÊX 31:18).

Por ter a presença do Deus vivo junto a eles, o povo hebreu era temido por praticamente todos os povos do deserto onde fazia a sua peregrinação. Neste momento eles já eram um povo, tinham um nome e suas leis, mas lhes faltavam a terra e um rei. Num momento decisivo para toda a nação, Josué o novo líder instado por Deus, já que Moisés havia morrido, decidiu continuar levando o seu povo através do deserto a terra prometida. Atravessou o rio Jordão, lutou com vários povos, inclusive povos gigantes, até conseguir conquistar o espaço demarcado por Deus para eles. E milhares de anos depois a nação de Israel já constituída, clamava por um rei. Deus para atender os seus anseios escolheu um membro da menor tribo para evitar que o orgulho viesse aflorar, e assim, Saul foi escolhido o primeiro rei de Israel e no momento da sua escolha não acreditou, chegando a dizer: “Porventura, não sou benjamita, da menor das tribos de Israel? E a minha família, a menor de todas as famílias da tribo de Benjamim? Por que, pois me falas com tais palavras” (1ªSm 9:21). Contudo, numa determinada guerra contra os Amalequitas, Saul recebeu ordens divinas através do profeta Samuel para não poupar ninguém, só que ele ignorou a voz de Deus deixando o orgulho aflorar. Poupou o rei Agague e o melhor dos animais que julgou estarem sadios e bem tratados, resultado: Deus passou a rejeitá-lo diante dos seus olhos. Naquele mesmo dia ele perdeu sua unção de rei, mantinha o trono, mas a presença de Deus já havia passado: “Arrependo-me de haver constituído Saul rei, porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras” (1ªSm 15:11). Saul foi derrotado porque deixou o orgulho entrar no seu coração.

Em resumo, eu posso garantir que o inimigo de nossas almas tem procurado agir aprisionando a mente do ser humano, o colocando cativo no orgulho de seus próprios desejos carnais, mas Jesus veio para libertar a humanidade dessas prisões. Até porque, a nossa milícia não é carnal, e sim, espiritual: “Porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra o príncipe deste século, contra as hostes espirituais da maldade nas regiões celestiais” (Ef 6:12).

Saiba que Deus nos protege das investidas satânicas e nos dá uma segunda chance, desde que venhamos a nos arrepender ainda em vida. Já em relação a Lúcifer e os anjos caídos, eles não tiveram essa segunda chance, Deus não os poupou quando pecaram, mas os lançou no inferno. Talvez seja por já terem vivido no céu e saberem que a existência lá é maravilhosa, além é claro, de já viverem na eternidade, coisa que o homem não tem sequer ideia de como seja realmente.

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Capítulo 7

O mediador
João chamado carinhosamente de Silva por Layo, não titubeou e falou com bastante entusiasmo que tinha entendido toda explicação.

Agora, ele entendeu que Deus não escolheu Israel, mas a constituiu como nação e a partir dela abençoou toda humanidade, que já havia sido condenada pelas investidas satânicas através do sentimento de orgulho colocado no primeiro casal. Pois, através de um ser chamado Abrão, Deus fez uma promessa e cumpriu com excelência, transformando um clã num povo e depois um povo numa nação, com leis e rei - o autor.

Mas o melhor de Deus estava por vir, e veio através da morte sacrifical de Jesus, o messias, hoje mediador entre Deus e nós. No evangelho de João, diz assim: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). Ele nos comprou com o seu próprio sangue: “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1Jo 5:11-12). “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17:3); “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20:31), disse Layo, despedindo a igreja em seguida.

Então, diante de tudo isso se entende que a ressurreição de Jesus Cristo fazia parte do projeto divino o qual Jesus veio realizar, pois assim como Adão trouxe a morte e a separação de Deus, Jesus trouxe a vida e a reconciliação para com Deus. Portanto, a única forma do homem se reconciliar e se justificar com Deus, é se arrepender dos seus pecados e confessar Jesus, o Cristo, como seu único e suficiente Salvador e nele ser justificado - o autor.
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Capítulo 8

A grande arguição
Silva então, perguntou a Layo, começando uma grande arguição: – Como o mundo vê Jesus?

– Em nossos dias costumamos ouvir pessoas de diversas classes sociais e etnias religiosas falarem de Jesus, alguns acham ser ele uma pessoa como nós, totalmente humano e chegam a declarar certas aberrações a esse respeito. Uma delas eu faço questão de lhe dizer: Andaram falando por aí, da possibilidade dele ter supostamente se casado com Maria Madalena, negando-se a morrer na cruz, dando assim ao diabo a vitória sobre Deus e seu plano de resgate da humanidade, por desistência de Jesus em cumprir a sua missão pré-estabelecida na eternidade, um absurdo – respondeu o missionário.

– E como posso ter intimidade com Deus? – perguntou João, o Silva.

– A primeira atitude é crer incondicionalmente no Senhor Jesus Cristo como o seu suficiente salvador.

– Nisto eu já creio, o que mais me falta?

– Tenha sempre zelo com a obra e confie no Senhor Jesus pela fé, tenha convicção que ele irá sempre lhe socorrer, quando você mais precisar.

– Como eu posso ver a suas maravilhas?

– As maravilhas de Deus só conseguimos apreciá-las na medida em que nos aproximamos dele e para se aproximar dele, tem que buscá-lo em santidade, e isso significa separar-se das coisas impuras deste mundo, consagrando somente o que é puro. Deus ordena santidade em nossas vidas porque ele é Santo, Ele é Nosso Senhor e o Nosso Deus.

– E para sermos santos temos que trazer a vida para uma realidade mais interna e profunda quanto às atitudes e pensamentos relacionado ao próximo, saiba que santidade é o principal atributo de Deus.

– Existe alguma ordem de prioridade no dia a dia com o Senhor?

– A bíblia diz, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e as demais coisas lhes serão acrescentadas. O relacionamento com Deus é algo pessoal, e a única coisa que eu digo para que você é que se coloque na condição de servo, reconhecendo Jesus Cristo como o seu Senhor e Deus como o vosso Pai.

– E quanto aos milagres de Cristo, eles têm forças para mudar o nosso interior?

– Não se pode negar que ao vermos os milagres que Jesus ainda realiza no meio do seu povo a nossa fé aumente e nos leva a ter uma esperança mais apurada nele, criando assim, uma total dependência de Deus.

– Como podemos declarar a Deus tal dependência?

– Através da oração, ela é o meio de entrarmos em sintonia com o Pai Celestial. Quando entramos em harmonia constante com Deus através das orações, passamos a entender o valor da vida. Entendemos que ela não é uma simples passagem nesta terra sem compromisso algum, vai muito mais além daquilo que pensamos. Deus se reconciliou com a humanidade através da morte sacrificial de seu único Filho Jesus Cristo, para garantir vida a todos na eternidade junto a ele e livre de todo sofrimento vindouro que está preparado para satanás e os seus anjos, mas infelizmente muitos não ouvirão o chamado de Jesus e seguirão a satanás e não se livrarão da condenação eterna.

– E nós, também podemos realizar milagres? – perguntou curioso João, o Silva.

– Jesus disse que estes sinais seguiriam aos que cressem em seu nome, que eles expulsariam os demônios, falariam novas línguas, pegariam em serpentes e, se bebessem alguma coisa mortífera não lhes faria dano algum, e poriam as mãos sobre os enfermos e os curariam. Nós somos o canal de Deus aqui na terra, a escritura não pode ser anulada, as afirmações de Deus são verdadeiras e todas as profecias tiveram e terão o seu real cumprimento e jamais poderão ser canceladas. Jesus declarou: É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei.

– Mas, vamos deixar um pouco para amanhã – disse o já cansado mestre.

- Claro, respondeu o entusiasmado discípulo.

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Capítulo 9

Continuando as perguntas
No dia seguinte a conversa voltou com muita força e estava sendo bastante proveitosa para Silva que buscava saber mais a respeito do Reino de Deus, ele fazia uma pergunta atrás da outra e a dessa vez foi relativo à fé, e disse assim:

– Como podemos ter a certeza que a fé nascida em nós é conseqüência dos milagres vividos?

– A bíblia diz que a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se vêem; os milagres nos dão respaldo para uma fé incondicional em Cristo e a fé que vem pelo ouvir a palavra de Deus, ela tem como base as promessas e os ensinos de Jesus, dos profetas e dos apóstolos.

 – Da fé nasce à esperança?

– Sim, sem ela não temos esperança.

– O que é esperar em Deus?

– É a expectativa de se conseguir algo que se deseja, palavra consoladora num mundo desolado, algo muito ativo e que exige muito trabalho de quem pretende perseverar nela.

– É tão difícil assim praticá-la?

– Sim, ter que lutar contra as próprias ideias não é fácil, às vezes acabamos dando lugar a ansiedade ao desânimo e aos medos e pomos tudo a perder. Até porque, orar a Deus e pedir que Ele apresse o momento de cumprir a sua vontade em nossas vidas diante das adversidades e não vê as soluções é complicadíssimo.

– A nossa esperança está em Cristo?

– Jesus é a nossa esperança, pois cremos ser Ele poderoso para fazer tudo aquilo que pedimos, que pensamos e principalmente o que precisamos segundo a sua vontade. Ele é a firme esperança que não traz confusão.

– E quanto ao amor?

– Existem várias formas de amar, mas é o amor de Deus que nos move em favor do próximo. O Amor ágape é um sentimento totalmente espiritual e profundo, é generoso por excelência e nos leva a dedicarmos a nossa vida em favor do outro pela simples vontade de querer fazer o bem ao próximo, sem interesse algum.

– Missionário Layo, o senhor me surpreende a cada momento, a sua intimidade com Deus é algo divino, pois como pode um homem ter tanta sabedoria assim?

– Layo sorriu e disse: Lendo a bíblia, é através das leituras bíblicas que Deus se revela a cada um de nós e passamos a conhecer melhor a sua verdade e o seu querer para nossa vida.

– Missionário Layo, fala-me como posso perdoar as ofensas alheias – perguntou Silva.

– Para você perdoar alguém, esse alguém precisa ter pecado contra você e essa ação de perdoar tem em sua base o amor. O pecado deixa marcas que só Jesus tem condições de tirá-las. Paulo afirmou que todos pecaram e carecem da glória de Deus. Pecado é transgredir a lei do Criador e todo aquele que vive no pecado é rebelde, contudo Deus instituiu a sua lei através dos dez mandamentos, declarando a sua vontade para o seu povo, já Cristo em seu ministério terreno, utilizou como princípio básico da lei a observância do amor e, é esse amor que nos leva a perdoar ao próximo.

– Layo, o pecado é tão grave assim?

No evangelho de Marcos, diz: “O que sai do homem é  o que o contamina, é do interior do coração do homem que procedem todos os maus pensamentos, a idolatria, a feitiçaria, a inimizade, a porfia, a ira, a peleja, as dissensões, a heresia, a prostituição, a inveja, o roubo, o furto, o homicídio, o adultério, a blasfêmia, a soberba, a insensatez, a bebedices e a glutonaria” (Mc 7:20-23); em Romanos, diz: “Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos todos estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem um sequer” (Rm 3:9-10).

– E como posso saber se estou sendo humilde? Disse Silva.

– Disse-lhes Jesus: Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humildade de coração e achares descanso para a vossa alma. Siga o exemplo de Cristo e saberás se é humilde ou não.

– Qual a importância da Palavra de Deus?

– A palavra de Deus é a verdade sobre tudo e sobre todos, dela se deve ter conhecimento, respeito e zelo, a palavra é o próprio Senhor Jesus, o verbo que se fez carne e habitou entre nós.

– A bíblia diz que devemos crescer no poder de Deus. O que vem a ser esse poder?

– O poder do nosso Criador está em tudo o que Ele é capaz de realizar e também na revelação de sua palavra. O Profeta Isaías disse: “A quem, pois, farei semelhante a Deus ou com quem o comparareis? Ele é o que está assentado sobre o globo da terra, cujos moradores são como gafanhotos; é Ele quem estende os céus como cortina e o desenrola como tenda para nós habitarmos. A quem pois, me fareis semelhante, para que lhe seja semelhante? Diz o Santo. Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? Quem produz por conta o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais Ele chama pelo nome; por ser Ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar” (Is 40:21-26).

– Em Jesus, podemos ver esse poder através dos seus milagres, na transfiguração do seu rosto quando resplandeceu como o sol e as suas vestes ao se tornarem brancas como a luz, na sua ressurreição e na ascensão aos céus, além de suas afirmações: “Eu e o Pai somos um. Crede nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e Eu estou no Pai” (Jo 10:30); “O qual é o resplendor da glória e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas” (Hb 1:3); “E lhe deu autoridade para julgar, porque é o Filho do homem” (Jo 5:27).

– E quanto ao Espírito Santo a bíblia declara sobre esse poder assim: “O Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um” (1Jo 5:7). O Espírito Santo desceu cumprindo a promessa de Jesus, de que enviaria o consolador: “Tendo eles orados, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez anunciavam a palavra de Deus” (At 4:31).

– Com relação as nossas vidas a melhores referências de poder são estas: “Eis aí, vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano” (Lc 10:19); “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra” (Ap 3:10); “Ao vencedor, o que guardar até ao fim a minha obra, eu lhe darei autoridade sobre as nações” (Ap 2:26). “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim os tornareis meus discípulos” (Jo 15:7-8). – disse o mestre.

– Diga-me Layo, o que é unção?

– A Unção nas Escrituras Sagradas pode ser vista tanto no sentido prático da unção com óleo, como no sentido espiritual, veja os exemplos: “Ungiam muitos enfermos com óleo e os curavam”, (Mc 6:13), e “Mas o que nos confirma convosco em Cristo e que nos ungiu é Deus, o qual também nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos corações” (2Co 1:21-22).

– O que é luta espiritual?

– Jesus disse: “O Espírito do Senhor está sobre mim, me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos e anunciar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4:18); A missão de Cristo é libertar o homem do poder satânico: “... para isto se manifestou o Filho de Deus, para destruir as obras do diabo” (1Jo 3:8); E “... As portas do inferno não prevalecerão contra a igreja do Senhor” (Mt 16:18).

– Como a igreja do Senhor se engaja nesse conflito espiritual contra o mal?

– Esse conflito é descrito como o combate da fé, e as armaduras que devem ser utilizadas para o cristão ter sucesso são: O jejum, a oração, a adoração e a leitura da palavra. Quanto às armas a serem utilizadas são as de defesa, de ataque, de apoio e as estratégicas. São elas: Arma de defesa, o sangue de Jesus; arma de ataque, o nome de Jesus; arma de apoio são os anjos do Senhor e arma estratégica a unção com óleo. – finalizou o mestre depois de bastante tempo sendo sabatinado.

– Mais alguma pergunta? Disse o Layo.

– Por enquanto, não – respondeu sorridente Silva.

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Capítulo 10

Os últimos dias da missão de Layo
E assim os anos foram passando, uma vida de aprendizado para todos os envolvidos com o missionário e não foi diferente com João, que não percebeu que estava sendo preparado para assumir em definitivo a obra em sua nação. Quando Layo viu que ele tava totalmente envolvido e preparado, entendeu que o seu ministério missionário chegava ao fim.

Assim, Layo decidiu voltar para sua casa, mas não sem antes deixar seu últimos ensinamentos para Silva, e como neste dia tinham muitos incrédulos e curiosos no local (o aeroporto da cidade), aproveitou e falou do amor de Deus a todos os presentes e fez uma breve comparação de algumas supostas coincidências, para que entendessem que Jesus já havia sido anunciado pelos profetas muito antes dele mesmo pisar na terra . Vários eventos ocorridos a milhares de anos atrás mostram isso. E disse:

– Entendam sobre o cordeiro sem mancha: Abel ofereceu um cordeiro em sacrifício a Deus; e o Pai Celestial ofereceu o cordeiro que tira pecado do mundo, seu Filho, Jesus.

– Sangue é vida: Foi aplicado o sangue nas vergas das portas para salvar da morte o filho primogênito de cada família hebreia no Egito e o sangue de Jesus foi derramado na cruz para salvar da morte todo aquele que nele crer.

– Morte também é vida: Isaque carregou a lenha até o monte Moriá lugar do holocausto e Jesus carregou aquela cruz pesada até o monte Gólgota, onde o crucificaram, o deixando agonizar até a morte. A morte de Jesus representou vida a todos nós.

– Disse Deus: Porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar. O diabo, semente da serpente, feriu o calcanhar de Jesus na cruz do calvário e Jesus, semente da mulher, pisou na cabeça de satanás tomando-lhe a chave da vida.

– O significado do pão e do vinho: O pão representa o corpo de Cristo e o vinho o seu sangue.

Mas como um grande missionário não poderia deixar de dizer a grande importância de se realizar missão no mundo, e disse:

– O propósito das grandes missões é fazer discípulos em todos os cantos do mundo. Para realizarmos esse tipo de missão na vida temos que está atento a tudo, pois o movimento cristão precisa de algo mais consistente do que somente pessoas leais à obras. Precisamos reunir as pessoas e as comunidades em torno do nome de Jesus e fundar igrejas, pois sem elas a obra fica incompleta. Saibam que a igreja é um agrupamento de pessoas redimidas como fruto da morte de Cristo, um povo peregrino que já não pertence a este mundo, e por isso, devemos viver uma comunhão real e pessoal com Deus; A igreja foi chamada para deixar o mundo e ingressar no Reino do Altíssimo, e isto requer separação de toda iniquidade. “Não vos prendais a um julgo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?” (2Co 6:14-15).

Torço para que vocês consigam convencer as pessoas a respeito da palavra de Deus, vocês deverão ensiná-las no temor do Senhor, pois o temor ao Senhor é o principio de toda sabedoria, deverão mostrá-los que esse temor na verdade é amor e de fundamental importância na vida do cristão e, é através dele que se passa a observar vários aspectos necessários a uma vida de retidão. Procurem levá-los a conhecerem verdadeiramente quem é Cristo, a ponto deles abandonarem os seus pecados, façam compreender o seu amor e os ensinem a honrá-lo, cumprindo assim as vossas missões na Paz do Senhor Jesus Cristo.

Após ensinar um pouco mais ao povo se despediu, mas não sem antes resolver perguntar quem queria receber Jesus como único e suficiente salvador através dele, um humilde e peregrino pastor.

E todos foram unânimes em querer receber Jesus como seu único e suficiente salvador e se ajoelharam no aeroporto, então disse: Vocês devem repetir a oração que eu vou fazer agora.

– Amado Deus, Amado Pai, criador de todas as coisas, peço perdão a ti por todos os meus pecados, pela vida desregrada e sem qualquer tipo de compromisso espiritual que tenho vivido. Eu reconheço que Jesus Cristo, vosso Filho Amado derramou todo o seu Sangue na cruz e padeceu até a morte para salvação de muitos. Lembrai-vos das vossas misericórdias e escreve o meu nome no livro da vida, faça-me conhecer através do seu Espírito Santo a esse Jesus, “o Cristo”, Nosso Senhor, por quem fomos livres e salvos. A ele seja dada toda honra, toda glória e todo louvor para sempre, Amém.

Layo se despediu de todos, especialmente de Silva, a quem passou o seu cajado, mas não sem antes orientá-lo a conduzir a igreja, e assim, dar continuidade àquilo que eles acabaram de confessar e, em relação a toda obra realizada por ele no solo desta nação.

Ele estava feliz com os resultados obtidos diante de uma história de vida em missão. E com este sentimento Layo voltou para a sua terra natal, como dissera o Senhor.

FIM.

Obs: O tema central desse assunto é a reconciliação de Deus com os homens atraves do sacrificio de Jesus Cristo na cruz do Calvário. Mas para que se pudesse criar um clima mais ameno e interesante, pois a maioria das pessoas acham massante ler assuntos que se referem as coisas do céu, busquei falar criando dois personagens distintos e semelhantes como pano de fundo. A ideia no início poderia até dar a impressão que fosse um deles ou os dois o centro da história, mas não era, e por isso, algumas pessoas podem ter ficado frustradas no decorrer dela, pois a mesma contém algumas rupturas sobre a vida desses dois personagens, contudo as mensagens e os ensinamentos pretendidos foram passados.

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