Minilivro - O menino que não acreditava em Deus



Capítulo 1

Uma infância de incredulidade
Numa cidade do interior tão distante daqui, havia um menino que não acreditava em Deus, logo todos se perguntavam? Como pode a sua mãe ser tão religiosa e mesmo assim ele dizer que Deus não existe.

Paulinho era uma criança como muitas outras, brincava de bola de gude, rodava pião, soltava pipas, jogava bola num campinho próximo a sua casa, sempre rezava antes das refeições e de dormir. Não saía de casa sem fazer o sinal da cruz, mesmo assim em seu interior havia muitas dúvidas, que o levava a não acreditar em Deus. Seu pai o abandonara junto a sua mãe, logo depois do seu nascimento, e já eram passados oito anos e durante esse tempo a sua vida não tinha sido nada fácil. Para ajudar a sua mãe, ele vendia limão na feira aos sábados, carregava as bolsas das madamas na volta da feira, recolhia ferro velho pela vizinhança e vendia empadas de porta em porta.

Aos domingos, Paulinho tinha um encontro marcado com seus amiguinhos para jogar futebol e sempre que ia sentia-se sozinho, ao ver os pais dos seus amigos que os acompanhavam a beira do campo. O que o confortava era o seu Zico, comerciante local e técnico do time, sempre dispensava toda atenção a ele, não só por saber da sua situação, mas pelo seu excelente futebol. Seu Zico sabia, que se não dispensasse um tratamento especial para o garoto, corria sérios riscos de perdê-lo para outro time do bairro. O que não faltava era treinador assediando o garoto, inclusive oferecendo dinheiro para ele jogar em seus times, mas seu Zico sabia como controlar essa situação. Ajudava a mãe do garoto com parte das compras de alimentos em todos os meses e às vezes, ajudava pagar a luz.

Na escola a pressão sofrida pela ausência do seu pai era bem pior, principalmente no dia dos pais. Dona Maria procurava preencher esse vazio com a sua presença. Todos os anos não faltava a nenhuma comemoração do dia dos pais, sempre procurando cumprir na medida do possível os dois papéis. Mesmo assim o menino se sentia triste e envergonhado, principalmente quando os coleguinhas perguntavam pelo seu pai. Ele sempre arrumava uma saída, dizia que ele estava viajando a trabalho ou que já havia morrido, mas quando criava coragem, dizia que o seu pai não morava com eles, isto é, quando conseguia responder em meio às lágrimas. O dia dos pais estava se tornando um tormento para Paulinho, ele só não desistiu de participar deste evento, por dois motivos muito simples e fácil de explicar: o primeiro era que a participação valia dois pontos na média e ele não poderia ignorar isso, o segundo motivo era o fato que se ele quisesse ignorar isso, sua mãe jamais deixaria.

No decorrer dos dias o seu conflito interior só aumentava dia após dia, o que sempre o levava a perguntar para si mesmo. “Que Deus é esse, que nem a família consegue manter?” O menino culpava Deus pela irresponsabilidade de seu pai que o abandonou.

Numa noite de natal Paulinho estava brincando com o seu presente, um lindo carrinho que acabara de ganhar de sua mãe, que por sinal havia comprado com muita dificuldade, pois usou todas as suas economias para poder atender ao pedido de seu único e maravilhoso filho, foi quando chegou a sua casa dois de seus amigos, Lucas e Pedro, num determinado momento da brincadeira, Pedro olhando para o céu resolveu falar com Deus e disse em alta voz: Deus, no próximo natal eu quero ganhar uma bicicleta. Lucas ao ver a iniciativa de Pedro, resolveu também fazer o seu pedido: Deus, eu quero ganhar uma linda televisão, para colocar no meu quarto. Depois de seus pedidos, eles ficaram esperando Paulinho fazer o seu, mas o menino relutava em falar com alguém que ele achava que não existia. Mas de tanto eles insistirem, resolveu também fazer o seu pedido e com lágrimas nos olhos começou a falar em voz alta: Deus, se você existe traga o meu pai de volta para casa! Eu e a minha mãe precisamos dele, responda Deus, responda Jesus, fale comigo, eu quero conhecê-lo. De repente Paulinho parou e pensou: Loucura minha eu ficar aqui gritando para os quatro cantos, querendo falar com Deus, eu não acredito em sua existência mesmo.

No domingo seguinte, como de costume, às sete horas da manhã, dona Maria acordou Paulinho para juntos irem à missa na igreja da cidade, que ficava na praça, próximo ao campo de futebol, porém este domingo era especial para Paulinho, o seu time iria fazer à final do campeonato de pelada do bairro e Paulinho era o craque do seu time e não poderia faltar, mas sua mãe o obrigou a ir à missa de qualquer jeito, mesmo contra a sua vontade. Já na igreja, enquanto o Padre Emanuel muito conhecido e respeitado na cidade rezava a missa, Paulinho não parava sossegado no banco da igreja e toda hora olhava para trás em direção ao campo de futebol, torcendo para á missa acabar logo e assim poder defender o seu time. Quando a missa acabou o jogo estava chegando ao seu final, Paulinho correu desesperado em direção ao campo e só pode ver o seu time levar o terceiro gol e perder o campeonato de pelada do bairro, por três a um. Este acontecimento fez as suas dúvidas aumentarem em relação a Deus e o seu grande amor. Ele pensou: Como pode um Deus ser tão carrasco assim a ponto de não deixar uma criança fazer o que mais gosta, mesmo que seja na hora da missa. O futebol naquele momento era a vida daquele menino e aquele jogo era o mais importante dela. Ele queria ser campeão de futebol de pelada do bairro, já que sonhava ser um grande jogador de futebol, queria que a sua primeira glória fosse junto a seus amigos de infância.

Os anos foram passando e suas dúvidas em relação à existência desse Deus não só persistiam como iam aumentando mais e mais e o desejo de tirá-las também, o que levou o menino, numa certa manhã a encher sua mãe de perguntas, e muitas delas, ela não conseguia sequer responder. Vendo que a sua mãe não tinha um conhecimento claro daquilo que praticava, suas dúvidas só aumentaram, levando o menino a começar a tirar as suas próprias conclusões sobre esse Deus que um dia foi o responsável por ele não disputar a partida de futebol mais importante de sua vida.

Um dia conversando com os seus botões o menino fez várias perguntas pessoais a si mesmo e tentava respondê-las a ponto de pensar, que se caso esse Deus, de fato existisse não gostava dele.


Capítulo 2

Uma adolescência conturbada
Paulinho havia chegado aos doze anos e as coisas estavam ficando difíceis de serem controladas por dona Maria. O menino, já não aceitava vestir qualquer roupa, tinha que ser de marca. Ele achava que ficando fora da moda, seus amigos não andariam mais com ele e que determinadas roupas compradas pela sua mãe, iria levá-lo a pagar mico e isso seria imperdoável, mas dona Maria não se dava por vencida, sempre orientava o menino, o chamando a sua realidade, porém, para Paulinho esse blá, blá, blá não iria resolver o seu problema.

Na escola a pressão era pior, todo dia ele era bombardeado por uma chuva de aparelhos eletrônicos dos seus amigos. Entre tantas novidades tecnológicas, ele sentia-se pressionado e acabava pressionando a sua mãe também, que não podia se quer lhe dar um celular barato ou comprar um computador para ser utilizado em sua casa.

Essas coisas começaram a fazer um estrago psicológico no menino, e sua alto-estima estava lá embaixo, causando uma série de comportamento que estavam preocupando sua mãe. O menino passou a não prestar mais atenção nas aulas como antes, piorando as suas notas, sem falar que ele passou a desenvolver uma timidez anormal, além de sentir raiva por qualquer coisa.

Tudo isso concorreu para que Paulinho se tornar-se um menino ansioso em relação ao seu futuro, passando assim a ter um medo antecipado e irreal, sem fundamento algum. Temia ser rejeitado e humilhado pelos colegas e por prováveis namoradas. Achava que todos teriam pensamentos equivocados a seu respeito.

Esse conjunto de coisas levou Paulinho a ter em sua vida um risco real de se tornar um adolescente instável, totalmente afligido pela ansiedade. Diante dos fatos apresentados, Dona Maria passou a levá-lo ao psicólogo, e durante os dois anos que se seguiram ele se consultou. Nesse período em que recebeu um bom tratamento e conseguiu absorver bem os ensinamentos, embora permanecesse nele algumas frustrações decorrente da falta de recursos financeiros, da ausência do seu pai e de suas dúvidas relativas à existência de Deus.


Capítulo 3

O início de um sonho
Quando tinha dezesseis anos Paulinho já era um rapaz forte e bonito, cheio de vida, mas dentro de si continuava um grande vazio, por achar que Deus não existia, diante desse mundo cada vez mais violento. E se existisse estava alheio a tudo, inclusive a todas as suas dúvidas e desejos, pois continuava a sonhar em ser um grande jogador de futebol para ajudar a sua mãe e realizar o desejo de conhecer o seu pai.

Nesta época mudou para sua cidade uma família de evangélicos e os seus membros era o pastor João Oliveira, sua esposa, a missionária Ruth e seus dois filhos, Rafael e Rebeca. O pastor João tinha a missão de fundar uma igreja evangélica na cidade, já que até aquele momento não existia outra igreja no local, além da igreja do padre Emanuel. O povo rejeitou a possibilidade de outra igreja na cidade, inclusive Paulinho, participando até de uma passeata junto a seus vizinhos, contra a fundação de uma nova igreja na cidade. Mas o destino levou Paulinho a conhecer Rafael e ao ver que ambos compartilhavam do mesmo sonho, “ser jogador de futebol” o garoto preferiu esquecer os protestos para viver uma nova amizade, e juntos lutarem para transformar seus sonhos em realidade. Foi o que fizeram quando souberam que haveria uma peneira num clube da capital.

Na véspera da viagem, o pastor João pediu ao seu filho Rafael que trouxesse Paulinho a sua residência para poder conhecê-lo, já que temia ver seu filho mal acompanhado. Nesse momento a vida de Paulinho começaria a mudar. Por volta das dezenove horas, Paulinho chega à casa de Rafael para jantar com sua família a convite do pastor João. Mas ao se deparar com o pastor à porta para recebê-lo, sentiu um calafrio na espinha e tremia todo o corpo, por não saber como seria recebido pela família.

O pastor ao perceber a sua aflição, procurou tranqüilizá-lo, demonstrando alegria ao recebê-lo e o convidou para entrar. Em seguida o apresentou a sua esposa, a missionária Ruth e a sua filha Rebeca, por quem Paulinho se apaixonou a primeira vista. Em meio à vergonha, Paulinho tratou logo de se desculpar por ter participado do protesto realizado na cidade, o que foi aceito de imediato por todos da família. Nesse momento dona Ruth avisa que o jantar está pronto e convida a todos se sentarem à mesa. Quando Paulinho menos esperava veio o que ele mais temia, “a oração”, ele não acreditava em Deus, e mesmo assim achou linda a oração de agradecimento de Rebeca.

No final do jantar, Rafael chamou Paulinho até o quarto e o presenteou com uma linda chuteira, pois sabia que ele não tinha. Entre lágrimas e vergonha, Paulinho não sabia o que fazer para agradecer foi quando o pastor João entrou no quarto e começou a falar de Jesus, mostrando que aquele pequeno mais grandioso gesto já era Jesus trabalhando em sua vida, para ajudá-lo a conquistar tudo o que ele quisesse, desde que cresse com fé, que Jesus Cristo é o Senhor e Salvador de sua vida. O convidou a orar junto a eles pelos testes que iriam realizar na capital, mesmo envergonhado, sem saber o que falar, Paulinho os acompanhou em oração e todos oraram juntos, assim:

“Amado Deus, amado Pai, tu és dono de tudo e o seu trono está no céu acima dos querubins e serafins, a terra e toda a sua plenitude pertencem a ti Senhor, peço benções sem medidas sobre a vida do meu filho e de seu amigo. A sua palavra é a verdade e ela diz no livro de Mateus, capítulo sete, versículos sete e oito, assim: ‘Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abri-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e a quem bate abrir-se-lha-á’, atenda o desejo dos corações desses jovens, segundo a sua vontade, em nome do seu filho amado Jesus Cristo, amém”.

Ao terminarem a oração, Paulinho se despediu e retornou a sua casa com o seu coração cheio de alegria e esperança que se Jesus existisse mesmo ele não o conhecendo, o ajudaria a conquistar uma vaga no clube da capital.

O teste

A peneira foi longa e tomou o dia inteiro, os dois estavam tendo bela participação, até que Rafael machucou gravemente o tornozelo direito, o que acabou impedindo ele de prosseguir com os testes. Rafael não se abalou e resolveu ficar até o final, acompanhando o desempenho do seu amigo, torcendo com tanta força e empolgação pelo sucesso do companheiro que causou estranheza ao próprio Paulinho. Outros amigos do bairro que o conhecia desde a infância não agiriam dessa forma, nem ele, com certeza estariam num canto qualquer lamentando a falta de sorte. Mas Rafael não, ele era diferente, parecia estar mais feliz do que o próprio Paulinho, ao saber a notícia da aprovação do amigo.

Ao ir ao médico para avaliar o grau de lesão, Rafael teve a triste constatação da gravidade de sua contusão no tornozelo, sendo convencido pelos médicos a desistir de seu sonho, o que não foi fácil. Diante da situação Rafael resolveu se dedicar integralmente à obra de Deus, ajudando de maneira preciosa o seu pai, na construção do templo, enquanto sua mãe juntamente com sua irmã participava de orações pelos lares da cidade, arrebanhando almas para o Reino de Deus. Em poucos meses a igreja já estava pronta e podia se contar, algumas dezenas de famílias louvando a Deus, junto com a família Oliveira. Enquanto isso Paulinho continuava na capital treinando em seu clube.


Capítulo 4

O namoro com Rebeca e a sua conversão

Num determinado dia após o treino, o rapaz recebeu uma correspondência enviada por Rebeca, onde ela contava todas as novidades da igreja, ao mesmo tempo em que lhe informava sobre a triste notícia do seu irmão, Paulinho sentiu enorme compaixão e chorou muito. Ao passar a tristeza, resolveu responder aquela carta e pediu que Rebeca o escrevesse com freqüência, a fim de lhe trazer notícias da cidade e de sua mãe, que ao telefonar sempre escondia as más notícias. Rebeca aceitou o seu pedido prontamente e passou a lhe escrever com freqüência.

Sempre que lia essas cartas o coração de Paulinho ardia, e numa dessas trocas de correspondências, ele resolveu revelar o que de verdade sentia por ela. Declarou ser algo maior do que uma simples amizade, ele estava apaixonado e para sua surpresa ela também o amava. Então, eles resolveram que assim que ele chegasse à cidade de férias, iria pedir permissão ao pastor João, pai de Rebeca, para namorarem.

O tempo passou e quando chegou o período de férias, o jovem rapaz viajou de volta para a cidade natal. Ao chegar lá, se dirigiu a casa da menina no horário marcado para pedir a sua mão em namoro ao seu pai. Ao se deparar com o pastor João e sua família o rapaz se tremeu todo, como uma vara verde, mas mesmo assim, não recuou e fez o pedido:

- Pastor João eu me apaixonei pela sua filha desde o dia em que estive aqui para conhecê-los naquele lindo jantar a mim oferecido. Guardei esse sentimento comigo, até que um dia ela me escreveu para mandar notícias sobre a situação de Rafael. A partir daí, passamos a nos corresponder com freqüência, foi quando tomei coragem e me declarei, e ao ser correspondido, decidir pedir permissão ao senhor e dona Ruth para namorá-la;

– Meu filho, eu não crio minha filha para namorar, eu a crio é para casar e se você quiser namorá-la, saiba que as condições são essas: professar a mesma fé que nós professamos, senão é julgo desigual, terá que estudar, trabalhar, e ser bom filho. Sua mãe precisa muito de você, se agarre com Deus, ele tem uma vida de vitória para você, assim eu permitirei que você namore minha filha;

– Eu vou começar a ir a igreja com a Rebeca, lá no clube existe uma escola onde estudo, eu sou contratado como funcionário e meus treinos são remunerados, quanto a minha mãe, eu jamais irei desampará-la;

– Diante das afirmativas eu permito o namoro, mas com dias e horários programados. Finalizou a conversa o Pastor.

A primeira decisão do Rapaz, ao ser aceito como namorado de rebeca, foi seguir em direção a igreja do seu sogro e mesmo sem muita convicção aceitou a Jesus como seu suficiente Salvador, pedindo em seguida a rebeca que o ensinasse a ter fé. Ela o respondeu dizendo, que no livro aos Hebreus, capítulo onze, versículo primeiro, diz: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem”. Jesus lhe dará fé.

No início do mês seguinte Rebeca e sua família levaram Paulinho à rodoviária, para seguir viagem em direção a capital, mas antes dele embarcar, Rebeca fez Paulinho prometer que iria arrumar uma igreja para congregar, assim que lá chegasse. Após a reintegração ao elenco do clube, o rapaz cumpriu com sua palavra e começou a congregar numa igreja próxima ao seu alojamento no clube.

No início do ano seguinte Paulinho já estava de volta para comemorar sua maior idade junto a sua mãe e sua nova família, os Oliveira. Aproveitou o momento para pedir a mão de Rebeca em noivado, o que foi aceito de imediato, recebendo a aprovação de todos os presentes. O rapaz declarou também que estava vivendo um dos momentos mais felizes em sua vida espiritual e que aquele Jesus, que tanto relutava em acreditar era o Senhor da sua vida.


Capítulo 5

Deus responde suas perguntas
Ao regressar de suas férias ao trabalho, Paulinho foi convidado pelo treinador do time principal para incorporar o elenco que disputaria o campeonato local. Essa ascensão precoce deveu-se as belas apresentações realizadas no ano anterior no time de base do clube.

No dia de sua estréia estavam todos lá. Sua mãe dona Maria, Rebeca, Rafael, o pastor João, a missionária Ruth, seu Zico e uma grande quantidade de vizinhos, que se deslocaram de sua cidade natal a capital, só para assistir a sua estréia no time de profissional, alugando inclusive diversos ônibus.

Foi uma estréia maravilhosa, seu time venceu de goleada o adversário e Paulinho marcou dois belos gols, dos quatro que sua equipe fez. No final da partida havia uma concentração de pessoas fora do estádio aguardando a saída do jovem jogador, que ao chegar foi carregado nos ombros e lançado algumas vezes ao ar pelos seus maravilhados e orgulhosos vizinhos. Diante de tanta admiração e alegria o rapaz ficou bastante perplexo, não esperava tamanha empolgação dos seus conterrâneos. Nesse instante, ele pode contemplar o quanto era admirado e querido em sua cidade. Mas as surpresas não paravam por aí, de repente quando estava abraçado com sua mãe e sua namorada ouve alguém lhe chamar:

– Paulinho, parabéns meu filho, você merece todas essas homenagens, eu posso lhe dar um abraço – falou um tal Adamastor.

– Adamastor o que você quer, nunca se importou com ele, agora quer tirar proveito do bom momento da vida dele, você não tem esse direito – respondeu dona Maria.

– Mãe, quem é esse homem, que a sua presença tanto perturba a senhora – Perguntou Paulinho.

– Esse homem que está aqui em nossa frente é o seu pai, aquele que um dia nos abandonou – Respondeu dona Maria.

Paulinho não sabia o que pensar, ele aguardava esse momento durante toda a sua vida. Então, resolveu pedir licença a sua mãe para poder dar um longo abraço em seu pai e ter a oportunidade de conhecê-lo. Diante da situação constrangedora, o pastor João resolveu convidar os pais de Paulinho para jantar num restaurante próximo ao estádio. Lá as duas famílias se reuniram para conversar e Paulinho não disfarçava toda a sua alegria por estar junto ao seu pai e sua mãe. Mas essa alegria preocupava bastante dona Maria, que conhecia bem o caráter de seu Adamastor.

Paulinho saiu do jantar radiante com tudo o que Deus havia lhe proporcionado. Ao se dirigir para o seu quarto no alojamento do clube resolveu como de costume, orar antes de dormir para agradecer a Deus, pela maravilhosa noite, que foi considerada a melhor de sua vida. Nesse momento, Deus trouxe a sua memória algumas coisas ditas por ele na sua infância descrente, mostrando-lhe que o havia ouvido e estava cumprindo naquele dia os desejos do seu coração.

A partir daí, Paulinho se certificou que ali começava o início da realização dos seus sonhos: Em primeiro lugar o de ser um grande jogador de futebol, em segundo, que as suas primeiras glórias fossem junto a seus amigos de infância, em terceiro, o desejo de poder conhecer o seu pai e em quarto, a possibilidade de ajudar a sua mãe ter uma vida melhor. Essas lembranças levaram o rapaz, em oração, a pedir perdão a Deus pelos seus momentos de pura insensatez.

Deus respondeu a sua oração, mostrando sua palavra no livro de Atos, capítulo dezessete, versículo trinta, que diz o seguinte: “Mas Deus não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam”. Paulinho dobrou o joelho, chorou muito se humilhou, pediu perdão por todas as tolices ditas no tempo da ignorância e muito feliz agradeceu a Deus e foi dormir.

Ao entardecer Rebeca telefonou, entre muitas novidades de ambas as partes, Paulinho contou a experiência vivida com Deus naquela manhã. Falava com grande euforia, ao revelar que Deus o respondeu sobre todas as dúvidas que um dia o afligiu. Nesse momento ele disse que pode ver que Deus não é omisso e se faz presente em todos os lugares a todos os momentos e não deixa um filho sequer sem resposta. Entendeu que essa experiência servirá como exemplo para muitas outras pessoas que precisarão ouvir isto, para tirarem suas eternas dúvidas sobre este Deus maravilhoso.

Ao ouvir essa declaração, Rebeca externou toda a sua alegria com o rapaz, dizendo que ele havia lhe surpreendido mais uma vez. Declarando em seguida todo o seu amor, depois se despediram felizes um com o outro.


Capítulo 6

O casamento e a obra missionária
Alguns dias depois os jovens voltaram a se falar novamente por telefone e nesta conversa o casal resolveu marcar uma viagem para as férias seguintes do atleta. O local seria uma cidade turística e muito bonita que juntos escolheriam. Foi o que ocorreu, e quando já estavam curtindo a beleza do local e suas belas praias, Paulinho marcou um jantar a luz de vela, para comemorar o seu décimo nono aniversário, aproveitou também para pedir a mão de Rebeca em casamento, o que logicamente foi aceito pela moça.

No mesmo momento começaram a fazer planos para o futuro e entre uma e outra escolha, resolveram ali mesmo marcar a data do casamento. O dia escolhido acabou sendo aquela mesma data, por vários motivos e entre eles o fato de ser a data do pedido e do aniversário de vinte anos do rapaz, além de coincidir com as suas férias de trabalho. Assim poderiam realizar a festa na cidade natal de Paulinho.

Ao voltarem da viagem, fizeram questão de dar a notícia em primeira mão, anunciando a todos os parentes e amigos a decisão tomada por ambos durante o período de viagem. Foi uma alegria só, contagiou todos os presentes, várias pessoas se colocaram a disposição para ajudar no que fosse preciso para fazer daquele casamento o mais bonito da cidade em todos os tempos e que fosse lembrado por várias gerações.

O ano passou com uma rapidez incrível e o grande dia chegou. No momento da cerimônia, Paulinho se dirigiu a igreja e viu que estavam lá várias personalidades do esporte, prestigiando o evento. A cerimônia começou com o jovem sendo conduzido ao altar por dona Maria, que por sinal estava muito feliz e seu Zico era um de seus padrinhos. A noiva como de costume, se atrasou um pouco, mas ao chegar arrasou, estava linda, o seu vestido era maravilhoso, foi confeccionado por um costureiro de fama da região. Seu pai a conduzia em lágrimas, a sua frente ia um lindo casal de crianças levando as alianças. Chegando próximo ao altar, seu João entregou a sua filha na mão de seu genro, que por sinal, era como um filho para ele. Então o pastor Antônio, amigo da família Oliveira, deu início à cerimônia e que linda cerimônia. Na hora do beijo toda igreja ficou de pé e aplaudiu o casal, foi uma linda festa.

Aos vinte e um anos, Paulinho teve que mudar de cidade por motivos profissionais, foi contratado por um clube de uma cidade mais distante e essa mudança teve uma conotação a mais para o jovem casal, a obra de Deus. Era a primeira vez que iriam trabalhar juntos, sem a supervisão do pastor João e de uma maneira bem mais efetiva. Seria uma nova experiência, principalmente para o rapaz que iria trabalhar e morar na mesma cidade, sem parentes por perto.

Chegando na cidade, sua nova morada, Paulinho percebeu que a mesma carecia de uma obra missionária como aconteceu com a sua, só que lá, já existia uma pequena igreja, que era conduzida por um pastor de nome Marcos. Numa noite de domingo o casal visitou a igreja, foi quando o pastor Marcos confidenciou ao casal que já algum tempo orava ao Senhor, pedindo para que ele enviasse pessoas preparadas para ajudá-lo a conduzir a obra.

Ao ouvir isso o coração de Rebeca ardeu, confirmando que eles não estavam ali por obra do acaso, mas foram enviados por Deus. Ao chegarem em casa, Rebeca relatou ao marido o que sentiu, quando eles conversavam com o pastor, em resposta a essa afirmação, o rapaz lhe disse ter sentido a mesma coisa, então, resolveram ajudar o pastor na obra de Deus.

Na manhã seguinte ao sair de casa, Paulinho encontrou um garoto que lhe pediu um autógrafo. Ao assinar escreveu, um grande abraço do amigo Paulinho, Jesus te ama.

– O garoto agradeceu e lhe disse: Eu não acredito em Deus;

– Paulinho sorriu e respondeu: Eu conheci um menino que não acreditava em Deus e hoje ele é um homem de Deus, com uma fé quase perfeita;

– Quem é esse homem para que ele me mostre se de fato Deus existe; – Perguntou o garoto.

– Siga-me – Disse Paulinho sorridente.